Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Faculdade de
Medicina. Programa de Pós-Graduação em Ciências Médicas: Psiquiatria.
MARCADORES BIOLÓGICOS E NÍVEL DE FUNCIONALIDADE EM PACIENTES BIPOLARES
Aluna: Fernando Kratz Gazalle
MARCADORES BIOLÓGICOS E NÍVEL DE FUNCIONALIDADE EM PACIENTES BIPOLARES
Aluna: Fernando Kratz Gazalle
Orientador: Flávio Kapczinsk
A avaliação da qualidade de vida (QV) no transtorno bipolar (TB)
é bastante incipiente. São usadas medidas heterogêneas, com diversos
significados reunidos sob a denominação “qualidade de vida”. O objetivo desta
tese foi avaliar a QV no TB utilizando um instrumento de QV desenvolvido
através de uma base teórica sólida e propriedades psicométricas consistentes,
além de transculturalmente validado. Procurou-se entender o que esta medida
pode indicar nos pacientes bipolares e abrir perspectivas nesta área ainda tão
carente de evidências. O corpo da tese é constituído por quatro artigos: No
Artigo 1, o número de anos sem o diagnóstico de TB mostrou-se inversamente
associado a escores de QV e diretamente relacionado a sintomas depressivos. O
Artigo 2 concluiu que a depressão bipolar e os sintomas residuais de depressão
estão correlacionados à pior QV em pacientes bipolares. O Artigo 3 detectou que
os sintomas maníacos estiveram associados a piores escores de QV na maioria dos
domínios e que os itens de mania “irritabilidade” e “sono” foram os mais
associados à pior QV, contudo, este estudo avaliou, conforme descrito, apenas
“sintomas maníacos” e não quadros de mania completa. No Artigo 4, foi
investigada e comparada a QV em pacientes com TB em episódios completos
maníaco, depressivo e em eutimia, assim como comparado com controles saudáveis.
Também foi comparada a medida de QV com a medida objetiva de Avaliação Global
do Funcionamento (AGF). Os pacientes maníacos apresentaram as piores medidas na
AGF, mas relataram a mesma QV que pacientes eutímicos e controles e melhor 2 QV
do que pacientes deprimidos. Observou-se que pacientes em episódio maníaco não
avaliaram sua QV como ruim e que existe discrepância entre a medida de QV e a
medida funcional objetiva nesta fase da doença. Os achados dos artigos se
articulam entre si e mostram, entre outros resultados, que os sintomas
depressivos e a depressão estão associados consistentemente à pior QV no TB.
Evidenciam também que os sintomas maníacos podem contribuir para a pior QV,
embora os pacientes em fase maníaca completa avaliem sua QV como boa,
provavelmente por falta de crítica de sua condição.
Disponível em : http://hdl.handle.net/10183/13192

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